fevereiro.2024

O setor sucroalcooleiro paulista e a transição energética

Distribuição da oferta interna de energia, por fontes

Brasil e Estado de São Paulo, 2021, em %

Fontes Brasil ESP
Não renováveis 55,3 41,5

Petróleo e derivados

34,4 33,0

Gás natural

13,3 8,5

Carvão mineral e derivados

5,6 0,0

Urânio (U3o8)

1,3 0,0

Outras não renováveis

0,6 0,0
Renováveis 44,7 58,5

Derivados da cana

16,4 32,7

Hidráulica

11,0 18,7

Lenha e carvão vegetal

8,7 3,8

Outras renováveis

8,7 3,3
Fonte: Balanço Energético Nacional (BEN 2022), Relatório Síntese (ano base 2021) e Balanço Energético do Estado de São Paulo, 2022 (ano base 2021); Fundação Seade.

A matriz energética brasileira totalizou, em 2021, 44,7% de fontes renováveis procedentes, principalmente, de derivados da cana, responsáveis por 16,4%, seguidos pela hidráulica (11,0%), lenha e carvão vegetal (8,7%), eólica (2,1%) e outras renováveis (8,7%). O Estado de São Paulo, por sua vez, dispõe de matriz energética ainda mais limpa, na medida em que suas fontes renováveis, em 2021, responderam por 58,5%, sendo 32,7% provenientes de derivados de cana.

Moagem de cana-de-açúcar e produção de etanol

Brasil e Estado de São Paulo, 2020/2021

Indicadores Brasil Estado de
São Paulo
ESP/BR
(em %)
Cana-de-açúcar (mil ton.) 657.432,75 356.507,52 54,2
Etanol (mil m³) 32.502,95 14.426,35 44,4
Anidro 10.646,57 5.194,82 48,8
Hidratado 21.856,38 9.231,53 42,2
Fonte: Conab e ANP.

A liderança paulista na produção nacional de cana-de-açúcar e etanol na safra 2020/2021 (54,2% e 44,4%, respectivamente) evidencia a importância que o setor sucroenergético paulista pode assumir na agenda de descarbonização em curso no país. Com efeito, a participação da biomassa, principalmente a decorrente da produção de açúcar e etanol (bagaço, palha da cana-de-açúcar, vinhaça e torta de filtro), e os subprodutos de maior valor agregado, como etanol de segunda geração, biogás/biometano, hidrogênio verde e combustível sustentável de aviação (SAF), representam novas frentes de crescimento para o desenvolvimento do Estado de São Paulo nesse processo de transição energética pelo qual passam o Brasil e o mundo.

Composição do Valor de Transformação Industrial da agroindústria paulista e sua participação no total da indústria de transformação estadual, segundo setores

Estado de São Paulo, 2007-2021, em %

Tipo

Setores de agroindústria

Composição
da agroindústria paulista
Part. no total do VTI da indústria de transformação paulista
2007 2021 2007 2021
Total da agroindústria 100,0 100,0 22,4 24,2
Base Animal Total 13,0 14,5 2,9 3,5
Abate, produtos da carne e pescado 7,9 8,6 1,8 2,1
Laticínios 4,5 5,1 1,0 1,2
Couro 0,6 0,7 0,1 0,2
Base Vegetal Total 87,0 85,5 19,5 20,7
Açúcar 8,2 20,5 1,8 5,0
Outros produtos alimentícios 11,9 14,7 2,7 3,5
Celulose e papel 21,4 13,5 4,8 3,3
Biocombustível 7,9 8,8 1,8 2,1
Vestuário e acessórios 8,3 5,0 1,9 1,2
Bebidas alcoólicas 7,3 4,6 1,6 1,1
Madeira e móveis 5,1 4,6 1,1 1,1
Conservas de frutas e legumes 4,8 4,3 1,1 1,0
Moagem e produtos amiláceos 4,0 3,1 0,9 0,8
Óleos e gorduras 1,8 2,2 0,4 0,5
Bebidas não alcoólicas 2,4 2,1 0,5 0,5
Fiação de fibras de algodão e naturais 1,5 1,4 0,3 0,3
Café 2,4 0,9 0,5 0,2
Fonte: IBGE. Pesquisa Industrial Anual (PIA); Fundação Seade.
Nota: A metodologia para mensurar a agroindústria se apoiou no estudo O PIB do agronegócio brasileiro: base e evolução. Cepea, Esalq/USP (2017).

A produção de açúcar na liderança, com participação em 2021 de 20,5% no VTI da agroindústria paulista, acrescida de 8,8% da produção de biocombustível (praticamente etanol), só reforça a relevância do setor sucroalcooleiro para a economia paulista. Em um momento de transição energética, o avanço na exploração de subprodutos de maior valor agregado, já em curso na cadeia paulista do setor sucroalcooleiro, se apresenta, certamente, como peça-chave para a expansão de novos eixos de desenvolvimento sustentável no Estado de São Paulo.

 

Compartilhe